sábado, 24 de outubro de 2009

Pontinhos de dança!


(imagem Clara Andermatt -Canto do Cisne)






(imagem C.Koen Broos)

"Não conquistes o Mundo e percas a alma. A sabedoria é mais valiosa que o ouro e a prata"

grafitti no metro de NYC



“A dança é a mãe de todas as Artes”

Curt Sachs (1901-1959)




"O ritmo, a respiração, os sentidos, a imaginação, o corpo, as emoções, as sensações, a criatividade, nós, os outros...
Deixar sentir para fazer dançar"

Amálgama



“Sentindo frio na minha alma convidei-te para dançar”

autor anónimo


"Técnica é naquilo em que se cai quando se esgota a inspiração”

Rudolfo Nureyev (1938-1993)



(imagem Al S.Carlos)



“Depois das actividades que asseguraram aos primeiros povos as necessidades materiais básicas – alimentação e abrigo – a dança veio logo a seguir. É o primeiro escape para a emoção e o início das artes…”

Sheldon Cheney (1886-1980)


“Inspiração é para os jovens.
A necessidade, mais do que a inspiração, é a fonte de toda a coreografia”

George Balanchine (1904- 1983)


"(…) nas nossas vidas todos temos sempre ideias para o futuro, contudo, verificamos que, depois, as coisas acabam por não acontecer como planeámos.
É exactamente o que se passa na dança, quando se trata de improvisar. Podemos ter muitas ideias préconcebidas mas o resultado do acto de improvisar é diferente de espectáculo para espectáculo, dependendo do clima interior e das condições exteriores do momento"

Michael Schumacker (1967)


“(...) Nem só virtuosismo escolástico pois sem coração não há arte, nem só inspiração plástica, pois sem técnica não há estilo: fusão estética do corpo e da alma (...)”

Margarida de Abreu (1915-2006)



“O classicismo é intemporal porque é impessoal”

George Balanchine (1904- 1983)



“Cada dia que se passou sem dança foi um dia desperdiçado”

Friedrich Nietzche (1844-1900)


“As crianças cantam antes de falar e dançam antes de caminhar.
A música povoa, desde logo, os nossos corações”


Pamela Brown (1928)


(imagem Nuno Silva)



"Os bailarinos são um misto de soldado, gladiador e matador.
Eles possuem a disciplinada coragem dos primeiros, a audácia bruta dos segundos e a 'finesse' dos últimos"

José Limón (1908-1972)


“A dança é um arco entre duas mortes”

Doris Humphrey (1895-1958)


“Relações familiares são impossíveis de dançar.
Também não se dança a psicologia. Dançam-se corpos. A dança não é coisa de palavras mas sim de imagens. Também as flores não necessitam de palavras porque são bonitas sem elas. Nós existimos e esperamos ser belos sem palavras”

George Balanchine (1904- 1983)


“Podemos julgar um rei pelo estado da dança no seu reino”

provérbio chinês






“A dança representa a vida porque a vida é um ritmo, o do coração. A dança é inseparável do ritmo. Ela interpreta a nossa existência na medida em que representa todos os ritmos e todas as pulsações humanas”

Maurice Béjart (1927-2007)



“O meu bailarino preferido é o norte-americano Fred Astaire. Ele é o mais interessante, o mais inventivo e o mais elegante bailarino do seu tempo”

George Balanchine (1904- 1983)


“O bailarino é um orador que fala uma linguagem muda”

Igor Stravinsky (1882-1971)



“A essência de qualquer arte é ter prazer em dar prazer”

Mikhail Baryshnikov (1948)




“A dança é o eterno renascimento do Sol”

Isadora Duncan (1878-1927)




(imagem Danças Plásticas)



“O bailado clássico é uma coisa puramente feminina: a mulher é um jardim com as mais belas flores e o homem o seu jardineiro”

George Balanchine (1904- 1983)




“A dança é um gráfico do coração”

Martha Graham (1901-1985)


“Quem conhece a Dança, vive em Deus”


Ronni

“Dança com a cabeça”

Anna Pavlova (1881-1931)


“Coloque-se um homem e uma mulher em cena e temos uma história; um homem e duas mulheres e temos um enredo”


George Balanchine (1904- 1983)






“A mais pura expressão de um povo reside nas suas danças e na sua música. Os corpos nunca mentem”

Agnes de Mille (1905-1993)



“Todo o ser humano transporta em si um bailarino”

Rudolfo van Laban (1879-1958)


“A dança, sob todas as formas, não pode ser excluída de uma educação nobre.
É preciso saber dançar com os pés, com as ideias e com as palavras e é necessário também saber fixá-la com a caneta”

Friedrich Nietzche (1844-1900)


“A dança é a uma canção do corpo, quer seja de alegria ou de dor”

Martha Graham (1901-1985)




“A ordinarice bem calculada (no teatro) é um ingrediente muito útil”

George Balanchine (1904- 1983)




“A dança é uma coisa de músculos e tempo”




"Ninguém aprendeu a dançar por osmose, encostando-se a um bailarino, ou por infiltração, sentando-se em cima de um livro de dança”


"O tempo alimenta a experiência e modela as mentes. A integridade funciona como o fiel da balança"



(imagem A Casa de Bernarda Alves)


"Sem investimento físico e intelectual, sério e consistente, não há bailarinos nem coreógrafos dignos desse nome”



“O conceito de ‘geração espontânea’ não se aplica à dança, pois estamos em presença de uma arte que vive do corpo, um instrumento que não se compra na loja já afinado e pronto para tocar”


MC (1955)


“Dançar é tomar parte do controle cósmico do Mundo”

Havelock Ellis (1859-1939)





"O 'plié' matinal para um bailarino é como o sinal da cruz para um católico"

Rudolfo Nureyev (1938-1993)



Dança: a expressão vertical de um desejo horizontal"
anónimo





Quando um bailarino desaparece na Terra, o Ceu ganha mais uma estrela cintilante !







(imagem Mariinsky Visheneva- Aurora)

ROBERTO GUTIERREZ: DE ANTOFAGASTA PARA LISBOA




(imagem by WestSideStory)


Roberto Gutierrez, nasceu no Chile, na cidade nortenha de Antofagasta, junto ao deserto de Atacama.
Veio de Madrid para Lisboa, em 1988, em busca de trabalho. Mas não só. Veio conhecer o nosso país porque tinha cá um amigo, Rodrigo Pasten, que era bailarino na Companhia Nacional de Bailado (CNB).
Começou por fazer aulas na CNB e partipar em alguns espectáculos mas como não lhe deram um contrato em tempo útil foi dançar no Casino Estoril.
“O meu primeiro espectáculo foi 'Showperman', em que se apresentava José Luís Mosqueira, um actor espanhol que já conhecia de Madrid. Durante os próximos três anos fiz mais três produções. Era um trabalho relativamente fácil. Era quase como estar permanentemente de férias em Cascais pois só se trabalhava à noite. O maior problema era ter que levantar as bailarinas, que eram todos inglesas, de 1,90m de altura”.
Durante esse período participou em espectáculos televisivos tais como “Jogos Sem Fronteiras”, “Parabéns” (do Herman José), “Pisca Pisca” e outros.
Depois de viver na Costa do Estoril mudou-se para Lisboa para trabalhar com Filipe la Féria na sua “revista televisiva” “Grande Noite”. Seguiu-se “Madita Cocaína”, também de la Féria e “Um, Dois, Três” e “Cabaret”, para a RTP.
“De seguida comecei a trabalhar mais em dança. Fiz espectáculos didácticos no Teatro Maria Matos e no Auditório Municipal Eunice Muñoz, em Oeiras, durante vários anos. Também participei em algumas produções de danças barrocas, com produção de Vicente Trindade para a sua Academia de Dança Antiga. Nessa época participei no filme 'El Perro del Hortelano' e em muitos outros programas d e televisão e fiz alguma publicidade”
Em 1999 Roberto acabaria por entrar num grupo português, a Companhia de Dança do Tejo, que durou apenas um ano.
“Todas as coreografias eram asisnadas pelo director Vitor Linhares. Era um trabalho contemporêneo e com uma certa exigência que me deu prazer fazer, enquanto não voltei para a televisão que é um trabalho mais comercial”
Estava quase a acabar o curso de auxiliar de acção médica, no Hospital de S. José, quando surgiu a “Operação Triunfo” e voltou para a RTP. Em 2005 participou no musical de Rita Ribeiro “Concerto Para Dois” que esteve em cena no antigo Cinema Roma.
Durante anos fez muita figuração e dançou em muitas óperas no Teatro Nacional de S. Carlos, designadamente, “Rigoletto”, “O Barbeiro de Sevilha”, “O Baile de Máscaras”, “Stiffelio”, “O Nariz”, “Madama Butterfly” e outras.
“Durante os ensaios de 'O Barbeiro de Sevilha' conheci o encenador espanhol Emilio Sagi, de quem me tornei amigo. Como havia falta de trabalho em Lisboa ele convidou-me a ir a Paris para audicionar para uma nova produção da opereta 'O cantor do México' no Teatro do Chatelêt. Entrei como bailarino ao lado da famosa Rossy de Palma e da princesa Clotilde Courau”.


Com Rossy de Palma, no "Cantor do México", no Teatro do Chatelêt em Paris
“O meu primeiro espectáculo foi 'Showperman', em que se apresentava José Luís Mosqueira, um actor espanhol que já conhecia de Madrid. Durante os próximos três anos fiz mais três produções. Era um trabalho relativamente fácil. Era quase como estar permanentemente de férias em Cascais pois só se trabalhava à noite. O maior problema era ter que levantar as bailarinas, que eram todos inglesas, de 1,90m de altura”.
Durante esse período participou em espectáculos televisivos tais como “Jogos Sem Fronteiras”, “Parabéns” (do Herman José), “Pisca Pisca” e outros.
Depois de viver na Costa do Estoril mudou-se para Lisboa para trabalhar com Filipe la Féria na sua “revista televisiva” “Grande Noite”. Seguiu-se “Madita Cocaína”, também de la Féria e “Um, Dois, Três” e “Cabaret”, para a RTP.
“De seguida comecei a trabalhar mais em dança. Fiz espectáculos didácticos no Teatro Maria Matos e no Auditório Municipal Eunice Muñoz, em Oeiras, durante vários anos. Também participei em algumas produções de danças barrocas, com produção de Vicente Trindade para a sua Academia de Dança Antiga. Nessa época participei no filme 'El Perro del Hortelano' e em muitos outros programas d e televisão e fiz alguma publicidade”.

Em 1999 Roberto acabaria por entrar num grupo português, a Companhia de Dança do Tejo, que durou apenas um ano.
“Todas as coreografias eram asisnadas pelo director Vitor Linhares. Era um trabalho contemporêneo e com uma certa exigência que me deu prazer fazer, enquanto não voltei para a televisão que é um trabalho mais comercial”
Estava quase a acabar o curso de auxiliar de acção médica, no Hospital de S. José, quando surgiu a “Operação Triunfo” e voltou para a RTP. Em 2005 participou no musical de Rita Ribeiro “Concerto Para Dois” que esteve em cena no antigo Cinema Roma.
Durante anos fez muita figuração e dançou em muitas óperas no Teatro Nacional de S. Carlos, designadamente, “Rigoletto”, “O Barbeiro de Sevilha”, “O Baile de Máscaras”, “Stiffelio”, “O Nariz”, “Madama Butterfly” e outras.
“Durante os ensaios de 'O Barbeiro de Sevilha' conheci o encenador espanhol Emilio Sagi, de quem me tornei amigo. Como havia falta de trabalho em Lisboa ele convidou-me a ir a Paris para audicionar para uma nova produção da opereta 'O cantor do México' no Teatro do Chatelêt. Entrei como bailarino ao lado da famosa Rossy de Palma e da princesa Clotilde Courau”.

Roberto ao lado de Ute Lemper no telefilme "Aureliènne"

De volta a Lisboa foi contratado pelo Teatro Aberto para o musical “Sweeney Todd”, em co-produção com o teatro D. Maria II.
“Andei a ensaiar durante várias semanas mas, num ensaio, ao escorregar depois de ser 'degolado' na cadeira onde o Sweeney Todd despachava as suas vítimas, aleijei-me devido a uma falha técnica no equipamento. Tive um problema grave nos ligamentos internos do joelho esquerdo e acabei de baixa um mês e meio antes de começar no Jesus Cristo Superstar. Havia uns 12 anos que não trabalhava com o Filipe la Féria e gostei de ter voltado pois encontrei outra geração de artistas no Politeama com outra postura e uma mentalidade mais aberta”.
Depois deste musical voltou a Madrid para um contrato de cinco meses com o Teatro de la Zarzuela.
“Não é fácil entrar naquela casa. Dancei em 'La Generala', outra produção de Emílio Sagi. Adorei partcipar naquela belíssima produção. No segundo acto tinha um carrousel lindíssmo em cena em tamanho real com umas cores espectaculares”.
Ainda em Madrid, dançou “Barbeiro de Sevilha” no Teatro Real, tendo depois voltado a Lisboa e audicionado para o musical de Filipe la Féria, “West Side Story”, como bailarino e cantor.
“Actualmente estou a investir no canto pois prefiro trabalhar em musicais. E como pinto desde criança - quando estive em Paris redescobri esse meu talento - gostaria, no futuro, de estudar pintura aqui em Portugal.
Quando estudei na Universidade do Chile, em Santiago, fiz uma cadeira de desenho mas, hoje, gostaria de aprofundar essa arte.

Peggy Konik - Seduzida pela dança !




(imagens alceu bett by Portugal)


Peggy Konik, foi o rosto de “Lento para Quarteto de Cordas” (tendo como parceiro o bailarino Rui Alexandre), a primeira peça que Vasco Wellenkamp criou para a Companhia Nacional de Bailado, na qualidade de director do grupo.


Depois de um período em que, involuntariamente, se viu afastada dos palcos, a bailarina francesa regressou em força e sente-se bem preparada para novos desafios.

“Danço desde muito pequena, com quatro ou cinco anos fui seduzida pela Dança. Foi qualquer coisa que eu escolhi sem escolhar... creio que já a tinha em mim!

Nascida em Rouen, onde o pai, Jean-Pierre Ruffier, era director e coreógrafo residente do Teatro das Artes e a mãe, Bernadette Ferrasse, era bailarina principal da companhia, depois do nascimento de Peggy ela parou cerca de um ano e meio mas retomou a sua carreira por mais uns poucos anos.

“Eu vi algumas fotos de ambos nas suas actividades artísticas mas é uma memória que não guardo pois nunca os vi dançar em cena”.

Sobre a sua infância a bailarina afirma, “nunca houve a ideia de fazer carreira na dança nem os meus pais me falavam muito do seu trabalho. Comecei a dançar na sua escola, o Centro de Dança da Normandia, na minha cidade natal, onde fiquei até aos 13 anos. Ao mesmo tempo frequentei o Conservatório Nacional (de Rouen) e o meu primeiro contrato foi aos 14 anos, com o Ballet de Toulouse, no corpo-de-baile de “O Lago dos Cisnes”.

Do seu “débout” profissional Peggy lembra que “dois meses fora de casa, ainda tão nova, foi muito duro, embora eles - os pais - fossem visitar-me sempre que lhes era possível. Depois, durante uma década, dancei em vários teatros franceses (Bordéus, Toulon, Metz, Limoges, etc.) mas a primeira companhia importante na minha carreira foi, mesmo, a de Victor Ullate (em Madrid) para a qual entrei aos 24 anos".


Começou como bailarina no conjunto mas, ao fim de seis anos, já fazia papéis principais. "Foi uma grande experiência para mim. Quando entrei só fazíamos obras de Ullate e um clássico, o “D. Quixote”. Pouco a pouco começámos a fazer mais reportório clássico e alguns bailados “neo-clássicos”. Pela primeira vez tive um trabalho com alguma continuidade já que, antes, eu era 'free lance', quase sempre na área do bailado clássico".


Quando a companhia madrilenha voltou ao sistema anterior - com obras maioritariamente de Victor Ullate – a bailarina teve vontade de fazer outros trabalhos...

“Foi muita sorte ter vindo para Portugal”, afirma Peggy. “Fiz contatos na CNB com antigos colegas que disseram que a companhia tinha, rapidamente, falta de uma bailarina porque uma das artistas principais estava lesionada. Audicionei e fui aceite em Abril 2003. Inicialmente, seria por pouco tempo mas tanto eu como a CNB... fomos ficando”.

Porque escolheu Portugal para trabalhar e viver?

“Foram as circunstâncias. Como eu queria deixar Madrid vim fazer audição e, desde então, por razões também pessoais decidi ficar em Portugal. Uma bailarina está bem com a vida quando está bem de trabalho... e se está bem na sua vida privada não tem razões para partir. Como desde os 14 anos sempre estive um pouco afastada dos meus pais, após un ano em Portugal eles vieram viver para perto de mim. A famíla é importante e completa-me porque desde muito nova andei de lugar em lugar... Um artista também precisa de estabilidade emocional.”


Quanto a projectos futuros a bailarina confessa que “sempre navegou um pouco à vista”. E acrescenta “nunca provoquei as coisas, espero que elas aconteçam. Porém, eu trabalho muitíssimo e não espero que o trabalho me cai no colo, mas deixo a vida tomar o seu lugar... Penso que as oportunidades profissionais e pessoais são coisas que nos acontecem”.

Ficar em Portugal? Sim... “Tenho tudo aqui. Acho o país muito mais que agradável, acho-o lindo.

Le Portugal c'est un pays coquet... por isso não tenho saudades de França”.

Gagik Ismailian - um coreógrafo que não pára!




O nome de Gagik Ismailian é bem conhecido do público português, sobretudo como bailarino do Ballet Gulbenkian (BG). Começou por fazer parte do elenco do grupo ainda jovem com o apelido Ismaily. Durante cerca de duas décadas, desempenhou muitos papéis principais em obras de coreógrafos tão emblemáticos como Barry Moreland, Heinz Sporeli, Peter Sparling, Elisa Monte, Christopher Bruce, Milko Sparembleck, Joseph Rousillo, Johnathan Lunn, Carlos Trincheiras, Lar Lubovitch, Hans Van Manen, Louis Falco, Nacho Duato, Jiri Kilian, Vasco Wellenkamp e Olga Roriz. Com estes dois últimos criou nada menos que 16 obras originais, tendo, inclusivamente, coreografado os seus primeiros trabalhos de parceria com Roriz. Após deixar aquele grupo, em 98, com o qual ainda mantém um forte vínculo afectivo (a sua esposa é bailarina principal do BG), acabou por permanecer em Portugal, país onde nasceram os seus dois filhos: Daniel com dez e Chloé com quatro anos de idade. Nascido no Irão, Gagik Ismalian, começou a estudar dança aos 7 anos na escola do Ballet Nacional do seu país com professores ingleses e russos. Posteriormente deixou a sua terra natal para ingressar na Legat School of Dance (1974 ) e na Escola do Ballet Real de Inglaterra, cujo curso concluiu em 1977. Entre os seus principais mestres destacam-se Piers Beaumont, Terry Westmoreland, Walter Trevor, David Drew, na escola da primeira companhia inglesa, e ainda Ruben Echeveria, Jane Blauth, Nancy Kilgore, Lynn Seymour e Lavern Mayer. Ainda estudante recebeu vários diplomas de escolas inglesas como a Royal Academy of Dancing e a Russian Ballet Society, bem como um "certificado de mérito" no Hastings Dance Festival (1976). Em Londres, depois de ter terminado a "Royal Ballet School" frequentava as aulas do antigo Dance Centre, e mais tarde, na Urdang Academy , entrou numa audição para o Ballet de Frankfurt tendo conseguido um contrato para a companhia. Nessa altura, Jorge Salavisa, então director artístico do BG assistiu a uma aula do Mestre Ruben Echeveria, e ofereceu-lhe um contrato para Portugal. "A Gulbenkian atraiu-me pois despertou em mim saudades da minha terra e uma certa nostalgia da minha origem arménia, o que me levou a optar pelo contrato do BG. Depois, tanto a minha vida pessoal, como a minha vida profissional, desenvolveram-se aqui de forma tão positiva que criei raízes muito fortes neste país. Entrou para a companhia da Gulbenkian em 1978, tendo, em 1981, sido promovido a bailarino principal. Na temporada 85-86 pertenceu ao Nederlands Dans Theater, onde trabalhou com os coreógrafos Jiri Kilian e Nacho Duato, regressando a Lisboa terminado o seu contrato na Holanda. Como bailarino convidado dançou o papel de Albrecht em "Giselle", em 1984, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro (Brasil) e, em 1977, o Príncipe do "Quebra-Nozes" numa companhia da Florida (USA), o Sarasota Ballet. Os bailados que mais gostei de interpretar, afirma Gagik, foram "Três Canções de Nina Hagen", "Violoncelo... " e uma versão especial de "Espaço Vazio", todos de Olga Roriz; "Reunião em Portugal" e "Hero", de Louis Falco, "Em Memória de Piaf", "Outono" e "Libera me" de Vasco Wellenkamp, "Wings", de Christopher Bruce e "Nuages" e "Regresso a Uma Terra Estranha", de Jiri Kilian. Recebeu, respectivamente em 83 e 84, o prémio da revista Nova Gente para o melhor bailarino do ano. Em 1998, conquistou o segundo prémio do Festival de Dança e Teatro de Augsburgo (Alemanha) com uma peça interpretada pela bailarina Adriana Queiroz e, em 1996, um terceiro lugar no Festival Internacional de Ballet e Dança Moderna de Nagoya (Japão), com um solo para Marina Sacramento. Participou também na Osaka International Dance Competition e no Concurso International de Dança de Paris em 1985. Menos de um ano após ter chegado a Lisboa, aventurou-se na arte da coreografia, tendo criado para os estúdios coreográficos do BG (com Olga Roriz) "Invisíveis Limites" com músicas de Kraftwerk, Tangerin Dream e Vangelis (78) e "Que Loucos Que Nós Somos!…Tu Não és?" (79) também inspirado na música de Vangelis. Criaria posteriormente, ainda num contexto de "oficina coreográfica", "Dedicado A?..." (80), "18 Minutos de Morte" (81), "O Dia Depois" (83) e "Miragem" (87). "Gahvoreh" (88) foi a sua primeira obra para o Ballet Gulbenkian, sobre uma música original de António Emiliano, tendo--se seguido "Domingo, 29 de Novembro" (89), "Viagens em Branco e Mármore" (91), "Convivaldi" (92), "Momentum" (92), "Adeus… e Nem Voltei" (93), "Paixão" (94) e "Choro de Anjos" (94) "Suite No. 1" (96).



"Cada companhia tem as suas características, os bailarinos são a matéria-prima não só do coreógrafo mas também da própria companhia. Os recursos que elas oferecem variam muito mas o que, hoje em dia, tem uma enorme importância para o criador é o apoio técnico. Para mim, é difícil escolher exactamente qual a que prefiro mas a CêDêCê será a minha primeira escolha". Para o grupo de Setúbal coreografou "Dis-Figure-Action" (92), "Máscara de Ternura" (93) "Tempo em Silêncio" (93), "Tirana Saudade" (94), "Mecânico" (95), "Mascarada" (96), "O Véu" (97), "Indiferença" (97), "Rosa Azul" (97),"Trilogia" (98), "Amarelo Era a Cor" (99) e "Casino Paradis" (2000), uma peça que ocupa todo um programa. Para os alunos da Escola Superior de Dança criou "As Regras do Jogo" (95) e "Despedaçado" (97); para a Companhia de Bailado Contemporâneo estreou, em 1998 no Brasil, "Sonho na Palma da Mão" e, no ano seguinte, coreografou "Faces do Destino"; para a Companhia de Dança de Almada concebeu "Nadir" (99); para o Balé de Cidade do São Paulo (Brasil), "Máscara do Tempo" em 96 e, para o Ballet Nacional da Croácia (Zagreb), "Viajantes em Paralelo" e "Citadela" (1999), uma peça que preenche todo um programa. "A Cidade Perdida" para CêDêCê e "Citadela" (numa versão revista) são as minhas obras preferidas. A segunda, não por ser uma peça de noite inteira, mas porque se trata de uma obra baseada nas minhas raízes e tudo o que há de mais próximo da minha origem e herança cultural e sentimental. O facto de ter vivido tanto tempo fora da meu país, manifesta-se profundamente nesta obra. Também destacaria "Amarelo Era a Cor" (Philip Glass) e "Nadir" (Muslimguase, Lisa Gerrard) para Companhia de Dança de Almada, um trabalho que reflectia sobre um assunto polémico e sensível: a eutanásia. Gagik Ismailian participou também num trabalho de dança independente, "Zoo&lógica", em 1984 e, dez anos depois, coreografou a peça "Judite, Nome de Guerra", de Almada Negreiros.



"São muitos os intérpretes com quem gostei de criar, designadamente Pascale Mosselmans e Benvindo Fonseca, Rui Pinto e Barbara Griggi, Adriana Queiroz, os bailarinos de CêDêCê – incluindo Sónia Rocha e Patrícia Henriques -, Rita Reis e Liliana Mendonça entre outros. O coreógrafo tem trabalhado como professor convidado junto de companhias como a CêDêCê, o Ballet Gulbenkian, a Companhia de Olga Roriz, a Companhia Portuguesa de Bailado, o Ballet Nacional da Croácia e o Balé da Cidade. Actualmente encontra-se no Brasil, a trabalhar numa criação para esta última companhia, e numa nova peça para a Companhia de Danças de Diadema (São Paulo). A primeira com alguns fados e a segunda inspirada no tema das crianças mal tratadas e abandonadas, um assunto polémico e sensível naquele país. "Em Janeiro deverei remontar ‘Citadela’ na Croácia e, mais tarde, em Maio tenho agendada uma nova criação - uma peça para todo um programa - na mesma companhia, a estrear em Julho 2001. Depois do Verão já tenho acertada uma nova criação para Companhia de Dança de Almada. E assim as coisas vão correndo..."

Roman Vassiliev: em Portugal


(imagem e notícia da revista de dança de Portugal)


De nacionalidade russa, Roman Vassiliev nasceu em 1979, em Syktyvkar, onde estudou dança numa escola privada entre os 8 e os 10 anos. Prosseguiu e os seus estudos na Escola Coreográfica de Perm, durante cinco anos, e, posteriormente, na Escola do Ballet de Hamburgo, na Alemanha.

Participou em várias competições internacionais tendo recebido o 3º Prémio no XXIV Prémio de Lausanne (Suíça) e uma bolsa de estudo para a Escola do Ballet de Hamburgo, foi finalista do Concurso Internacional de Perm (Rússia) e recebeu um 3º Prémio no Concurso Internacional de Varna (Bulgária).
Iniciou-se como profissional no Teatro de Ballet e Ópera de Syktykvar, (1996-1997), onde dançou os bailados “D. Quixote” (Basílio), “O Quebra-Nozes” (O Príncipe), “Paquita”, “O Corsário” e “La Bayadère”. Depois foi solista do Ballet de Leipzig (1998-2000), tendo interpretado obras de Uwe Scholz (“América”, “Suite”, “Die Shopfung”, “Brandenburg” e “Sinfonia Clássica”) e de Jiri Kylián (“Sinfonieta” e “Sinfonia em Ré”).

Fez ainda parte do Ballet de Hannover (2000/2001) e do Ballet Real da Flandres (2001-2002), tendo dançado respectivamente “Giselle” (Albrecht), “O Quebra-Nozes” (O Príncipe), “D. Quixote” (Basílio e Espada), “In he Middle Somewhat Elevated” (William Forsythe), “Troy Game” (Robert North) e “Serenade” (George Balanchine) com a primeira companhia e “Twice 4” e “O Lago dos Cisnes” com a segunda.



A partir de 2003 passou a integrar o elenco da Companhia Nacional de Bailado, como bailarino principal, destacando-se em “A Dama das Camélias”, “O Quebra-Nozes”, “Sonho de Uma Noite de Verão” e “O Lago dos Cisnes”, e tendo participado em várias Galas Internacionais organizadas no Dia Mundial da Dança.
Em 1997 Roman Vassiliev dançou numa gala, na Finlândia, ao lado de conhecidos artistas como Maya Plisetskaya, Nadezhda Pavlova e Patrick Dupond. Em 2006 dançou como artista convidado no National Ballet of Denver (USA) e, recentemente, interpretou o papel de Príncipe em “O Quebra-Nozes”, à frente do grupo de bailado do Centro de Dança do Porto, onde mantém actividade pedagógica.
Depois de ter passado por tantas companhias, em tão pouco tempo, o bailarino decidiu vir para Lisboa porque estava descontente com a direcção de Robert Denvers no Ballet da Flandres.
“Para além da falta de dinheiro, a política artística da companhia não era a melhor”, afirma o artista. “Antes de audicionar para aquela companhia belga eu saíra da Ópera de Hannover, juntamente com o director Mehmet Balkan, quando a companhia fechou. Nessa altura nem sabia que Portugal tinha uma companhia de dança clássica. Nunca vi qualquer indicação sobre a CNB em revistas ou um qualquer espectáculo em tournée. Quando soube que Balkan estava em Portugal contactei com ele e fui contratado”.


Embora não fale a nossa língua, Roman Vassiliev, decidiu ficar em Portugal porque é “um país muito bonito e tem boas condições climatéricas para os bailarinos”. Durante o tempo que trabalhou na CNB esteve atento ao que se passava dentro da companhia (com os jovens bailarinos que vinham da Escola de Dança do Conservatório) e no país, em termos do ensino da dança. Hoje acha que as coisas podem melhorar.
"Não pretende continuar a dançar e a leccionar porque não se podem fazer as duas coisas bem feitas ao mesmo tempo. Honestamente, eu sei que posso dar a minha contribuição e fazer subir o nível pedagógico da dança. Em Portugal tudo começa pelo telhado. Em Setembro próximo vou abrir uma escola para proporcionar um ensino diferente. Não uso o método Vaganova nem Balanchine, nem o inglês (do Royal Ballet ou da Royal Academy), mas sim um trabalho ancorado no ensino do passado concentrando-me nas bases e princípios da dança clássica".

A nova escola oferecerá aulas de dança clássica (Roman Vassiliev) e contemporânea (Carlos Gonzalez e Olga Roriz), aulas de música e canto (Vera Belozorovitch e Alexey Shakitko) e ginástica para bailarinos, para além de aulas de ‘aperfeiçoamento’ para profissionais e uma oficina coreográfica regular. Entretanto Vassiliev já começou a leccionar em Lisboa na Escola Dance Etc... em Campo de Ourique.

14ª edição do Festival Internacional



(imagem e notícia Dança Brasil)
14ª edição do Festival Internacional


Durante nove dias o Recife vai se transformar na capital da dança. Terá início nesta sexta-feira (23) a 14ª edição do Festival Internacional de Dança do Recife (FIDR), que este ano vai trazer 17 espetáculos nacionais e quatro companhias francesas. A ação integra o Circuito Brasileiro de Festivais Internacionais de Dança e faz parte do calendário oficial do Ano da França no Brasil.

Na noite de estreia o grupo francês Malka vai unir brasileiros e franceses no espetáculo ‘Meia Lua’. A apresentação é exclusiva aos convidados e começa a partir das 20h no Teatro de Santa Isabel.

Durante o dia duas ações prometem chamar a atenção do público em vários pontos do Recife: “Sinais de Dança” e o “Vídeocidade”. No primeiro, bailarinos de dança contemporânea e Hip Hop de diversas companhias locais vão se apresentar em sinais de trânsito de grandes avenidas, no começo da manhã (das 7h às 9h) e no início da noite (das 17h às 19h), convidando o público para participar do Festival.

No Vídeocidade, pedestres terão acesso aos vídeos dos principais espetáculos de dança do festival, projetados nas paredes das avenidas. Nesta sexta (23), os vídeos serão projetados em paredes da avenida Conde da Boa Vista, próximo ao cruzamento da rua do Hospício. O Vídeocidade prossegue nos dias 26, 28 e 30 de outubro, no Parque 13 de Maio, Av. Agamenon Magalhães e Pina, respectivamente.


Até o dia 31 de outubro cinco teatros da cidade estão no circuito da dança: Barreto Júnior, Parque, Apolo, Santa Isabel e Hermilo Borba Filho, além de apresentações na rua da Moeda e em polos descentralizados (praça do Hipódromo, Nascedouro de Peixinhos e Alto José do Pinho).

“O festival resolve este ano ganhar as ruas. Além da programação nos teatros teremos projeções de vídeos e danças nas encostas e laterais dos prédios do Recife”, afirma o coordenador do Festival de Dança, Arnaldo Siqueira.

“Além disso, teremos uma programação internacional, em homenagem ao Ano da França no Brasil, com quatro espetáculos franceses e um alemão, um português e um bailarino libanês, de dança árabe. No primeiro dia acontecem os ‘Sinais de dança’, uma ação para chamar atenção para o festival. A ideia é que esse espaço de sinal fechado não seja apenas de meninos de rua, mas de ação artística”.

Entre os destaques do evento estão o espetáculo ‘Embodied voodoo’, do Grupo de Dança Cena 11 (SC), as performances de Vanilton Lakka (MG), com ‘Interferência inacabada’, e Marcela Levi (RJ), com ‘Em redor do buraco tudo é beira’.

HOMENAGEM
A bailarina e coreógrafa pernambucana Maria Eduarda Buarque estudou dança moderna, coreografia e música na Julliard School, em Nova York. Já em Londres, a artista recebeu formação no Laban Center for Movement and Dance, entre os anos de 1992 e 1993. Maria Eduarda foi uma das fundadoras da Cia. de Dança Cais do Corpo.

A bailarina lançará seu primeiro livro durante a programação, A Gravidade e o Self – Uma relação entre corpos e símbolos.

SERVIÇO:

XIV Festival Internacional de Dança do Recife
De 23 a 31 de outubro
Informações: (81) 3232.2021e http://dancarecife.blogspot.com


Fonte:http://pe360graus.globo.com/diversao/diversao/danca/2009/10/22/NWS,500779,2,27,DIVERSAO,884-FESTIVAL-TRANSFORMA-RECIFE-CAPITAL-INTERNACIONAL-DANCA.aspx

Programação para Outubro -São Paulo



Programação para outubro

COMPAGNIA TARDITO RENDINA
Espetáculo: Circhio Lume.
A turnê brasileira da Compagnia Tardito Rendina é fruto da parceria entre Regione Piemonte, Associação Ponte entre Culturas de Minas Gerais, Istitutos Italianos di Cultura do Rio de Janeiro e de São Paulo e conta, ainda, com o apoio da Galeria Olido, da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo; do Centro Coreográfico e da Secretaria Municipal de Cultura de Rio de Janeiro. A turnê integra o projeto Palco Itália – Festival Ponte entre Culturas, que tem o objetivo de promover o intercâmbio entre artistas, grupos e agentes culturais da Itália e do Brasil.
Circhio Lume é uma escrita por “círculo”, não narrativa, que utiliza linguagem em equilíbrio entre o trágico e o grotesco, ligeiramente forçada e clownesca.
| Galeria Olido – Sala Paissandu. Centro. Dia 6, 21h. Grátis.


DEL BRAVO HASTA LA PATAGÔNIA
Cia. Cumbre de Dança. Dir.: artística: Isaura Guzman. Coreografia e concepção: Alex Kiton e Isaura Guzman. Com Adriana Roda, André Rodriguez, Alex Kiton e outros. 60 min. Livre.
Os intérpretes apresentam balé folclórico, clássico e contemporâneo.
| Teatro Martins Penna. Zona Leste. De 2/10 a 1º/11. 6ª e sáb., 21h. Dom., 19h. Dias 2, 3 e 4/10. Grátis. De 9/10 a 1º/11. R$ 20.


EI – ENCONTRO DE IMPROVISAÇÃO
Coletivo MR. Participação especial, dia 6: CandoCO Dance Company. Dir.: Luis Ferron. Com Luis Ferron, Suzana Bayona e Jaqueline Aparecida de Souza. 90 min. Livre.
Atividade criada a partir da experiência da Jam de Dança – Encontro de Música, Teatro e Dança do CCSP. Em outubro, o Coletivo MR apresenta seu trabalho.
| Centro Cultural São Paulo – Sala Adoniran Barbosa. Centro. De 6 a 27. 3ª, 12h. Grátis.


PALESTRA PROCESSO CRIATIVO: CANDOCO
Antecipando sua participação no EI – Encontro de improvisação, o grupo ministra uma palestra.
| Na Sala Adoniran Barbosa, dia 6, das 10h30 às 12h. Grátis.


LÚDICO
Cia. Druw. Concepção, coreografia e dir.: Miriam Druwe. Co-direção: Cristiane Paoli Quito. Intérpretes-criadores: Miriam Druwe, Adriana Guidotte, Tatiana Guimarães e outros. Atriz convidada: Luciana Paez. 60 min. Livre.
Espetáculo infantil inspirado nas obras do pintor russo Wassily Kandinsky, no qual cores e formas se agitam em busca de um lugar.
| Centro Cultural São Paulo – Sala Jardel Filho. Centro. Dia 20, 15h. Dia 21, 10h30 e 15h. Grátis.


3ª MOSTRA DO FOMENTO À DANÇA
Galeria Olido. Centro. Até dia 25. Grátis.

Cia. Vitrola Quântica
Espetáculo: She’s Lost Control. Contemplado pela 5a. edição. Dir.: Julia Abs e Daniel Augusto. Intérpretes-criadoras: Aline Bonamin, Júlia Abs e Melissa Bamonte. 60 min. Livre.
Inspirado na música homônima da banda inglesa pós-punk Joy Division, o espetáculo mostra três mulheres, fora de controle, em uma casa noturna que nunca fecha.
| Sala Paissandu. Dia 1º, 20h.

João Andreazzi e Cia. Corpos Nômades
Espetáculo: Hotel Lautréamont – Os bruscos buracos do silêncio. Contemplado pela 4ª e 6ª edições. Concepção, coreografia e dir.: João Andreazzi. Com Bruna Dias, João Andreazzi, Isabella Fanceschi e outros. 60 min. +14 anos.
Inspirada na obra de Isidore Ducasse, que adotou o pseudônimo Conde de Lautréamont para escrever Os cantos de Maldoror, entre 1868 e 1869, a coreografia faz uma exaltação à metamorfose dos corpos.
| Excepcionalmente encenado no Teatro LUGAR, da Cia. Corpos Nômades. Rua Augusta, 325, Centro. Dia 2, 21h.

Stacattospciadança
Espetáculo: Sarau contemporâneo – Idéias & movimento. Contemplado pela 6ª edição. Dir.: Fernando Machado. Com Aline Proetti, Carina Nagibi, Maitê Molnar e outros. Interlocutor: Rodrigo Vilalba. 60 min. +14 anos.
Com pesquisa e experimentação em torno dos textos de Jorge Luis Borges, o espetáculo é um caminho para a investigação sobre arte, sociologia, política, território e outras associações.
| Sala de ensaio. Dia 3, 17h.

Núcleo Eu Et Tu
Espetáculo: Desvio para o vermelho. Contemplado pela 5ª edição. Concepção: Carmen Gomide. Dir.: Rosa Hércoles. Intérpretes-criadores: Carmen Gomide e Aguinaldo Bueno. 60 min. +14 anos.
A obra retrata os pequenos acontecimentos da vida cotidiana que passam despercebidos.
| Sala Paissandu. Dia 3, 20h.

Cia. Sansacroma
Espetáculo: Solano em rascunhos. Contemplado pela 6ª edição. Concepção e dir.: Gal Martins. Coreografia: Gal Martins e elenco. Com Felipe Santana, Jean Valber, Leandro Evangelista e outros. Percussão ao vivo: Alan Bernadino. 50 min. Livre.
Baseada na vida e na obra do poeta negro Solano Trindade, a coreografia percorre sua terra e observa as amarguras e alegrias festeiras de seu povo.
| Sala Paissandu. Dia 4, 19h.

Cia. de Teatro de Dança Mariana Muniz
Espetáculo: Nucleares. Contemplado pela 5ª edição.
Concepção, coreografia e dir.: Mariana Muniz. Intérpretes-criadores: Bárbara Faustino, Danielli Mendes, Ronaldo Silva e outros. Participação especial: Mariana Muniz. 60 min. +14 anos.
Coreografia inspirada no trabalho Núcleos, do artista plástico tropicalista Hélio Oiticica. O espetáculo aborda, por meio do movimento e da palavra, questões fundamentais da existência humana.
| Sala Paissandu. Dia 7, 20h.

Núcleo Ângelo Madureira e Ana Catarina Vieira
Espetáculo: O animal mais forte do mundo. Contemplado pela 4º edição. Concepção e coreografia: Ângelo Madureira e Ana Catarina Vieira. Dir.: Fernando Faro. Com Ana Catarina Vieira, Ângelo Madureira, Ana Noronha e outros. 60 min. +14 anos.
Segunda parte da trilogia O nome científico da formiga, o trabalho enfoca questões sobre o lugar do forte e a força da sobrevivência.
| Sala Paissandu. Dia 8, 20h.

Cia. Danças
Espetáculo: Adeus corpo gentil, morada do meu desejo. Contemplado pela 4ª edição. Dir.: Claudia de Souza. Com Anabel Andrés, Claudia de Souza, Cristiana de Souza e outros. 60 min. +14 anos.
A coreografia busca uma atmosfera de energia criada a partir da somatória dos pensamentos e qualidades vibratórias dos intérpretes, gerando um ambiente de transformação.
| Sala Paissandu. Dia 9, 20h.

J.Garcia & Cia.
Espetáculo: Cabeça de Orfeu. Contemplado pela 4ª e 6ª edições. Coreografia e dir.: Jorge Garcia. Intérpretes-criadores: Alexandre Magno, André Graça, Amanda Raimundo e outros. 65 min. +18 anos.
Coreografias sobre sentimentos em comum vivenciados pelos que se deparam com situações-limites e com a própria morte.
| Sala Paissandu. Dia 10, 20h.

Oficina de Avaliação: 4ª, 5ª e 6ª Edições do Fomento à Dança
Coord.: Gabriela Lotta.
A oficina, aberta a todos, tem o objetivo de avaliar os resultados obtidos nas três últimas edições, bem como tornar mais claros os objetivos, as propostas e as finalidades do projeto.
| Salas Paissandu e de ensaio. Dia 13, 16h.

Oficina Com Key Zetta e Cia.
Oficina: Sós. Contemplada pela 5ª edição. Dir.: Key Sawao e Ricardo Iazzetta. Intérpretes-criadores: Daniel Fagundes, Eliana de Santana, Key Sawao e Ricardo Iazzetta. 60 min. +14 anos.
Encontro aberto sobre a criação do espetáculo Sós, que aborda o processo de escrita do dramaturgo Samuel Beckett, com a participação dos diretores, intérpretes-criadores e colaboradores.
| Sala de ensaio (vermelha). Dia 14, 20h.

Cia. Fragmento da Dança
Espetáculo: Beije minha alma. Contemplado pela 6ª edição. Coreografia e dir.: Vanessa Macedo. Com Danilo Firmo, Érica Tessarolo, Jéssica Moreto e outros. 60 min. +14 anos.
Coreografia inspirada na vida e obra da artista britânica Tracey Emin, nos quatro dias em que pensou em se matar.
| Sala Paissandu. Dia 15, 20h.

Cia. Borelli de Dança
Espetáculo: Estado independente. Contemplado pela 4ª edição. Concepção, coreografia e dir.: Sandro Borelli. Com Elisângela Ferreira, Elizandro Carneiro, Roberto Alencar e outros. 60 min. +16 anos.
Borelli criou um espetáculo assumidamente panfletário, com fortes doses teatrais, inspirado no legado político e poético do líder revolucionário Ernesto Che Guevara.
| Sala Paissandu. Dia 16, 20h.

Encontro: Ambiente Cultural – Encontro Com Gestores dos Equipamentos Parceiros do Fomento à Dança
Projeto desenvolvido para investigar as potencialidades de espaços culturais que abrigam atividades do Fomento à Dança, a fim de instruir seus gestores para uma atuação efetiva. Moderação: Gabriela Gonçalves. Palestrantes: Ronaldo Lemos (diretor do Centro de Tecnologia e Sociedade, da Faculdade de Direito da Fundação Getúlio Vargas-RJ). Tema: Exemplos de alternativas de produção: tecnobrega e cinema nigeriano; André Sturm (coordenador do UFDPC). Tema: Importância do contato efetivo dos gestores; Erike Busoni (artista-produtor). Tema: Importância do trabalho direto com a comunidade; Lúcia Barbosa (pesquisadora da Cultura). Tema: Importância de encontros das potências locais; e Christine Greiner (pesquisadora da Cultura). Tema: Elo entre o gestor e o artista.
| Galeria Olido – Salas Paissandu e de ensaio. Centro. Dia 17: Encontro 1 – grupos de trabalho. Dia 18: Encontro 2 – grande plenária. Das 10h às 18h. Grátis.

Cia. Nova Dança 4
Espetáculo: O beijo. Contemplado pela 5ª edição. Concepção e dir.: Cristiane Paoli Quito. Com Alex Ratton Sanchez, Cristiano Karnas, Diogo Granato e outros. 75 min. +14 anos.
Segundo movimento da trilogia Influência, o espetáculo enfoca textos literários, como os de Edgar Allan Poe; teatrais, como os de Nelson Rodrigues; e cinematográficos, como o do filme De repente num domingo, de François Truffaut.
| Sala Paissandu. Dia 17, 20h.

Núcleo Luis Ferron
Espetáculo: Sapatos brancos. Contemplado pela 4ª e 6ª edições. Concepção e dir.: Luis Ferron. Com Luis Ferron, Tony Siqueira, Zélia Oliveira e outros. 50 min. Livre.
A coreografia traz elementos que envolvem tradições carnavalescas paulistanas, suas escolas de samba e, especialmente, o ritual presente na dança entre Mestre Sala e Porta Bandeira.
| Corredor da Galeria Olido. De 21 a 23, 19h.

Oficinas com Ângelo Madureira e Ana Catarina Vieira
Com início em outubro, o Núcleo Ângelo Madureira e Ana Catarina Vieira oferece, até janeiro de 2010, workshops de prática corporal e conversas, A casa do outro, para discutir temas pertinentes à dança, que têm como base espetáculos do grupo, promovendo a reunião de artistas, professores, alunos e pesquisadores.
| Galeria Olido. Centro. Sala café. Dia 22, das 19h às 22h. Módulo: Processo inicial de pesquisa – Bases utilizadas. Sala de pesquisa e acervo. Dia 27, das 19h às 21h. Módulo: Como manter uma companhia de dança, estratégias e dificuldades. Grátis.

Núcleo de Improvisação – Zélia Monteiro
Espetáculo: Por que tenho essa forma?. Contemplado pela 5ª edição. Dir.: Zélia Monteiro. Orientação dramatúrgica: Valéria Cano Bravi. Intérpretes-criadores: Donizeti Mazonas, Mel Bamonte, Rodrigo Eloi Leão e outros. 50 min. Livre.
Espetáculo trata do tempo e espaço por meio de formas que abordam o presente, o passado e o futuro; o início, o percurso e a chegada.
| Sala Paissandu. Dia 22, 20h.

Caleidos Cia. de Dança
Pré-estréia do espetáculo: Coreológicas-ludos. Contemplado pela 6ª edição. Concepção, coreografia e dir.: Isabel Marques. Co-dir. e orientação dramatúrgica: Fábio Brazil. Com Luciana Nunes, Carolini Lucci, Renata Baima e Samanta Roque. 60 min. +14 anos.
Releitura dos espetáculos Coreológicas, realizados pela companhia nos últimos 13 anos, que propõem novos jogos de dança baseados em Rudolf Laban.
| Sala Paissandu. Dia 23, 20h.

Projeto DR
Pré-estréia do espetáculo Ensaio. Contemplado pela 5ª edição. Concepção, dir. e interpretação: Laura Bruno, Mara Guerrero, Sheila Arêas e Tarina Quelho.
60 min. +14 anos.
O espetáculo se aproxima do universo dos reality shows ao questionar as fronteiras entre realidade e encenação, arte e vida, mentira e verdade.
| Sala Paissandu. Dia 24, 20h.

Oficina com Luis Ferron
O diretor do espetáculo de samba Sapatos brancos ministra workshop de capacitação pedagógica.
| Sala de ensaio. Dia 25, das 14h às 18h.

P.U.L.T.S Teatro Coreográfico
Estréia do espetáculo: Primeiros versos – Trilogia poética parte 2. Contemplado pela 6ª edição. Concepção, coreografia e dir.: Marcelo Bucoff. Com Clarissa Sacchelli, Jorge Lima, Natalia Yukie e Renata Aspesi. 60 min. +16 anos.
Por meio de um processo criativo que alia pesquisa de movimento e experimentação no campo das artes plásticas, poesia, videoarte, circo e música, o espetáculo percorre os ciclos da vida.
| Sala Paissandu. Dia 25, 19h. Reapresentações fora da Mostra de Fomento à Dança: Dias 29 a 31, 20h. Dia 1º|11, 19h. Grátis.

Bienal Internacional de Dança do Ceará chega a sétima edição em outubro


(imagem e matéria da Secretaria da Cultura do Ceará)

Bienal Internacional de Dança do Ceará chega a sétima edição em outubro



Os espetáculos e programação formativa acontecerão no período de 16 a 26 de outubro. São mais de 60 atividades, com toda a programação gratuita.


Em outubro, Fortaleza, Sobral e Juazeiro do Norte recebem a VII Bienal Internacional de Dança do Ceará. Bailarinos e coreógrafos de mais de 30 companhias do Brasil e de mais sete países vão estar nos palcos e em espaços diversos com espetáculos e ações formativas. Do Brasil, a Bienal terá a participação do Ceará, São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Minas Gerais. A Bienal recebe ainda companhias da França, Cabo Verde, Argentina, Alemanha, Portugal, Guiana Francesa e Finlândia. São mais de 60 atividades, com toda a programação gratuita. Os espetáculos e programação formativa acontecerão no período de 16 a 26 de outubro. Antes disso, de 13 a 17, haverá o III Fórum Latino-Americano de Videodança. Em novembro, de 24 a 28, a Bienal cruza o oceano e aporta na cidade de Praia, no Cabo Verde, para onde leva companhias e artistas cearenses, brasileiros e também de outros países, com espetáculos, residências artísticas e encontros. É o projeto VII Bienal Internacional de Dança do Ceará – CONEXÃO CABO VERDE, que visa fortalecer processos colaborativos de criação, ampliando fronteiras e relações artísticas com países do hemisfério sul.

A sétima edição da Bienal Internacional de Dança do Ceará é apresentada pela Petrobras, através da Lei de Incentivo à Cultura do Governo Federal; patrocínio do Banco do Nordeste do Brasil – BNB e Fundação Nacional de Artes - Funarte; agradecimento especial Companhia Energética do Ceará; apoio cultural do Ministério da Cultura – MinC, Governo do Estado do Ceará através da Secretaria da Cultura – SECULT, Centro Cultural Banco do Nordeste – CCBNB; apoio Institucional Ano da França no Brasil, República Francesa e Cultures France, Kultursenat Berlin, Centro Cultural Brasil-Alemanha e Consulado da Alemanha em Recife, Halle Tanzbühne Berlin, Departamento Cultural da Cidade de Berlin, Fundo Germânico para Artes de Palco, Instituto Camões, Ministério das Relações Exteriores da Finlândia, São Paulo Companhia de Dança e Governo do Estado de São Paulo, TV O Povo.

Nos Palcos
Para discutir éticas e estéticas, um breve panorama dos trabalhos das companhias e artistas independentes nacionais e internacionais pauta a linha curatorial do festival que lança questões sobre a multiplicidade de estratégias de inserção no campo da dança. A 7ª edição da Bienal apresentará trabalhos de artistas que por muito tempo integraram conceituadas companhias para, depois, se lançarem em projetos autorais, geralmente em colaboração com outros artistas. Entre eles: Denise Stutz (RJ), uma das criadoras do Grupo Corpo, com Três solos em um tempo; a ex-integrante da Quasar, Lavínia Bizzoto (RJ), dançando Na dobra do tempo; as cariocas Marcela Levi, ex-bailarina da Lia Rodrigues Companhia de Danças, e Flávia Meireles, que dançou com coreógrafos como João Saldanha e Paulo Caldas, trazem Em redor do buraco tudo é beira; e a argentina Marina Brusco, que foi bailarina do Teatro San Martín de la Ciudad de Buenos Aires e vem a Fortaleza pela primeira vez com Chito.

A Bienal também convida grupos e artistas independentes de dança que, em meio à precariedade e instabilidade dos mecanismos de fomento, vêm resistindo e se afirmando na paisagem da dança nacional. São eles: Staccato |Paulo Caldas, com Quinteto; Cena 11, dirigida por Alejandro Ahmed, com o trabalho Pequenas frestas de ficção sobre realidade insistente; o mineiro Vanilton Lakka, com o solo Interferência inacabada; o argentino Luis Garay, que retorna a Fortaleza com Maneries; e a companhia alemã Toula Limnaios traz Les Possedés.

A programação tem atenção especial, ainda, à produção coreográfica feminina, com uma homenagem às criadoras que, ao longo do século XX e neste início de novo milênio, fundam na dança novos estatutos éticos e poéticos, formas outras de povoar o universo dessa arte com suavidade, intensidade e inaugurando novos regimes de sentido. O Ballet de Lorraine traz a Fortaleza e Sobral três programas que contam com obras referenciais de Martha Graham, Isadora Duncan, Maguy Marin e Lia Rodrigues.

Além da programação artística, haverá cursos, oficinas, palestras e residências artísticas, todos gratuitos, como a que será ministrada por João Fiadeiro, que vem pela primeira vez ao Ceará, e trabalhará com seu método “Composição em Tempo-Real”. O artista atua em Portugal e ministra cursos e conferências em universidades e escolas nacionais e internacionais. Também ministram cursos Denise Stutz (RJ) e Silvia Soter (RJ), oficinas com Daniela Stasi (São Paulo Companhia de Dança/SP), Marcela Levi e Flávia Meireles (RJ), palestra com Inês Bogéa (São Paulo Companhia de Dança/SP), entre outras ações formativas.

Ano da França no Brasil
Prestigiando as comemorações do Ano da França no Brasil, os franceses Ballet de Lorraine e Alain Buffard, Norma Claire, da Guiana Francesa, e a portuguesa Vera Mantero circulam pelo Brasil através do Circuito Brasileiro de Festivais Internacionais de Dança, formado pela Bienal Internacional de Dança do Ceará, o Festival Panorama de Dança (Rio de Janeiro), FID – Fórum Internacional de Dança (Minas Gerais) e o Festival Internacional de Dança do Recife. A programação especial conta com apoio do MinC – Ministério da Cultura, Cultures France, Embaixada da França e Embaixada do Brasil.

Fórum de Videodança
A Bienal recebe em sua programação o III Fórum Latino-Americano de Videodança – FLV, uma realização conjunta com o projeto dança em foco – Festival Internacional de Dança & Vídeo, do Rio de Janeiro. Trata-se de um encontro institucional entre diversas instâncias que atuam na área da vídeodança (produção, exibição, circulação). Entre os eixos temáticos: a difusão da videodança, a educação e reflexão acadêmica, curadoria e crítica e redes de colaboração. Entre os participantes: Eduardo Bonito, Regina Levy e Paulo Caldas (Dança em Foco/RJ); Alexandre Veras e Andréa Bardawil (Bienal Internacional de Dança do Ceará); Silvina Szperling (coordenação geral do Fórum/Argentina); Ivani Santana (UFBA/BA); Roxana de Los Rios (Cuba); Sofía Orihuela Yucra e Brisa Muñoz Parra (Bolívia); Juana Miranda (Paraguai); Diego Carrera (Uruguai); e Ximena Monroy (México). A programação conta com parceria do Centro Cultural da Espanha em São Paulo/AECID.

A 7ª edição da Bienal conta, ainda, com a parceria do Circuito Brasileiro de Festivais Internacionais de Dança, Alpendre - Casa de Arte, Pesquisa e Produção, Associação de Bailarinos, Coreógrafos e Professores de Dança do Ceará - ProDança, dança em foco – Festival Internacional de Vídeo & Dança, Associação Hugo Bianchi de Dança, Associação dos Produtores de Arte do Ceará – Proarte; sendo uma realização da Indústria da Dança, Quitanda das Artes, Theatro José de Alencar, Instituto de Arte e Cultura do Ceará - Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, Centro Cultural Bom Jardim, SESC SENAC Iracema. Apoio: Prefeitura Municipal de Sobral através da Secretaria da Cultura, Rádio Tempo, Annas Tour, Brasil Tropical, Teatro das Marias, ABC Vatá, Hey Ho, Mugango.


Serviço:

- VII Bienal Internacional de Dança do Ceará. De 13 a 17 de outubro: III Fórum Latino-Americano de Videodança. De 16 a 26 de outubro: espetáculos e programação formativa em Fortaleza, Sobral e Juazeiro do Norte. De 24 a 28 de novembro: programação em Praia – Cabo Verde (África). Toda a programação é GRATUITA. Informações: Escritório da Bienal Internacional de Dança do Ceará – Rua José Avelino, 495 – Praia de Iracema – Fortaleza – Ceará. Telefone: 85 3219.3803. E-mail: producaobienal@gmail.com. Site: bienaldedanca.com.

INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA
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domingo, 4 de outubro de 2009

Guivalde de Almeida

ALGUMAS COMPANHIAS DE BALLET



Balé da Cidade de Sao Paulo

O BALÉ DA CIDADE DE SÃO PAULO é a companhia de dança oficial de uma das maiores metrópoles do mundo e – como a Cidade – possui forte personalidade cosmopolita.

Fundada como companhia de dança clássica em 07 de fevereiro de 1968 pelo Prefeito Faria Lima, com o nome de Corpo de Baile Municipal, tinha como proposta acompanhar as óperas do Teatro Municipal e se apresentar com as obras do repertório clássico. Seu diretor era Johnny Franklin, e a primeira apresentação pública da companhia foi em 11 de Setembro de 1968 para acompanhar a ópera, e em 06 de abril de 1969 fez sua primeira apresentação como Corpo de Baile.

Em 1974, sob a direção de Antonio Carlos Cardoso, Iracity, Cardoso e Marilena Ansaldi, a companhia assumiu o perfil de dança contemporânea que mantém até hoje. Apresentando coreógrafos como Vitor Navarro, Oscar Araiz, Luis Arrieta e o próprio Antônio Carlos, o BALÉ DA CIDADE era uma presença destacada no cenário da dança sul-americana. Peças memoráveis como “Vivaldi”, “Aquarela do Brasil”, “Cenas de Família” e “Presenças”, tiveram enorme sucesso de público e crítica especializada.

Nos anos 80, o experimentalismo marcou a trajetória da companhia. Liderados por Klauss Vianna, os bailarinos eram encorajados a contribuir com suas próprias idéias coreográficas que resultaram em trabalhos marcantes como “A Dama das Camélias”, de José Possi Neto, “Bolero”, de Lia Robatto, e “Valsa para Vinte Veias” de J.C. Violla.

Ainda no final desta década, Luis Arrieta dirige a companhia pela segunda vez e imprime perfil personalíssimo ao único período em que o grupo teve um coreógrafo residente.

A bem sucedida carreira internacional do BALÉ DA CIDADE teve início com sua participação na Bienal de Dança de Lion, França, em 1996. Desde então suas turnês européias tem sido aclamadas tanto pela crítica especializada quanto pelo público que tem lotado as platéias de todos os grandes teatros onde a Companhia tem se apresentado.

Em 1999 o BALÉ DA CIDADE destacou de seu elenco alguns bailarinos, os mais experientes e de consolidada carreira, para compor um grupo que busca a vanguarda dentro das tendências da dança contemporânea, abordando linguagens coreográficas através de conceitos e métodos diferenciados. Este grupo chamado Companhia 2 abriu novos horizontes para a dança brasileira e para a própria companhia, seu trabalho foi reconhecido pela APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte de São Paulo) que lhe conferiu 3 prêmios nos anos de 2005 e 2006.

Desde 2001 o BALÉ DA CIDADE DE SÃO PAULO desenvolve trabalhos paralelos, gratuitos e abertos ao público em geral, como: oficinas, cursos, debates, encontros com personalidades, ações sociais, intercâmbio com universidades, mostras de coreografia, fotografia, vídeo, dinamizando seu espaço e partilhando seu patrimônio pessoal e cultural com a população da cidade.

Hoje o BALÉ DA CIDADE possui em seu repertório obras dos mais conceituados coreógrafos da atualidade: Ohad Naharin, Vasco Wellenkamp, Gagik Ismailian, Germaine Acogny, Mauro Bigonzetti, Angelin Preljocaj, Rodrigo Pederneiras, Henrique Rodovalho, Deborah Colker, Jorge Garcia, Luis Arrieta, Sandro Borelli, Mário Nascimento, Luis Fernando Bongiovanni, Maurício de Oliveira e muitos outros. Recebeu mais de 50 prêmios que endossam sua grande trajetória.

A longevidade do BALÉ DA CIDADE DE SÃO PAULO e o interesse da nata coreográfica nacional e internacional em criar para a companhia oficial de dança da cidade de São Paulo mostram seu prestígio no mundo da dança com o incondicional apoio do diretor do Teatro Municipal de São Paulo e do Secretário de Cultura da cidade.



BALÉ DA CIDADE DE SÃO PAULO - 35 ANOS
Rui Fontana Lopes (Ex-diretor 1989-1992)

Os 35 anos do Balé da Cidade de São Paulo contam a história de duas companhias de dança. Passemos à primeira delas, que é a história de um grupo criado em 1968 com um dupla finalidade: absorver uma parte das alunas e os pouquíssimos alunos egressos da Escola Municipal de Bailados e atender às necessidades de bailarinos colocadas pelas óperas encenadas no Teatro Municipal.

Nos muitos e longos intervalos entre um título lírico e outro, esse grupo, então chamado Corpo de Baile Municipal, dedicava-se a produzir arremedos do repertório clássico tradicional e a dançar sobretudo criações de Johnny Franklin, seu primeiro diretor artístico, e eventualmente umas poucas obras de Lia Marques e Marília Franco, personagens importantes da dança feita em São Paulo nos anos 1950 e 1960, ligadas, ambas, à Escola de Bailados e ao recém-nascido Corpo de Baile.

Ainda que esse grupo e seus protagonistas tenham trazido sua contribuição à história da companhia oficial de dança de nossa cidade, foi no ano de 1974 que o Balé da Cidade nasceria pela segunda vez, e dessa vez com os traços que marcam sua fisionomia até hoje. Essa nova história do Corpo de Baile Municipal de São Paulo, ou a história desse novo Corpo de Baile, começou a ser escrita em 1973, pelas mãos de José Luiz Paes Nunes - pianista, crítico de música, animador cultural e intelectual amoroso das artes e da cultura -, em sua breve mas notável passagem pelo Departamento de Cultura da Secretaria da Educação, numa época em que ainda não havia a Secretaria Municipal da Cultura em São Paulo.

Empreendedor inquieto e espírito desassossegado, Paes Nunes achava que a cidade merecia uma companhia de dança afinada com seu tempo e, também, que correspondesse às muitas e diferentes cidades que, já na década de 1970, formavam essa única e mesma cidade chamada São Paulo. Convidada para assumir a direção do Corpo de Baile, a bailarina, coreógrafa e professora Marilena Ansaldi declinou do convite. Pouco afeita a funções dessa natureza, sugeriu para o posto o nome do gaúcho Antônio Carlos Cardoso, então um jovem coreógrafo e bailarino que começava sua carreira na Europa. Contatado, Cardoso aceitou o convite e mobilizou uma equipe de trabalho formada por ele, Marilena Ansaldi, pela bailarina e assistente Iracity Cardoso e pelo coreógrafo espanhol Victor Navarro. Isso tudo aconteceu entre o final de 1973 e meados de 1974, quando essas quatro destemidas criaturas começaram a trabalhar para trazer à luz uma companhia de dança contemporânea, de base clássica, aberta a diversos criadores e às múltiplas tendências da dança e do teatro de seu tempo. Como a sua cidade-sede.

Poucos meses depois, no final de 1974, num gesto tão espetacular quanto improvável, eles conseguiram estrear o primeiro espetáculo da nova companhia de dança da cidade de São Paulo. No repertório, quatro obras inéditas - Uma das quatro (Navarro / Vivaldi), Sem título (Cardoso / colagem com músicas de Miles Davis, Beatles e Herbie Mann), Medéia (Ansaldi / Pink Floyd) e Paraíso? (Cardoso / música original de Hermeto Paschoal) - mostravam um novo modo de pensar e propor a arte da dança a platéias acomodadas ou entediadas com a modorra do repertório convencional.

No palco, os bailarinos que haviam aderido ao novo projeto compensavam eventuais carências técnicas, e uma certa falta de entrosamento, compreensíveis dadas as circunstâncias, com a alegria de estar fazendo uma dança repleta de sentido e vitalidade. Na platéia, primeiro o susto, depois o encanto: a transformada companhia do Teatro Municipal de São Paulo mostrava a que vinha, esclarecia que estava disposta a romper barreiras e deixava claro que fazia questão de levar o público consigo em sua aventura. E foi assim que naquele final de 1974 a história da dança no Brasil ganhou esse novo e importantíssimo personagem, que jamais sairia de cena.

Permito-me aqui uma reminiscência pessoal: foi esse o espetáculo que me cativou para a arte dança, de que me tornei, a partir de então, primeiramente espectador assíduo, depois crítico, função que desempenhei por dez anos, e por fim, numa dessas coincidências que a psicologia junguiana chama de sincronicidades, diretor do Balé da Cidade, que tive a felicidade de dirigir entre 1989 e 1992, quando Luísa Erundina foi prefeita da cidade, Marilena Chauí comandou a Secretaria da Cultura e Emilio Kalil dirigiu o Teatro Municipal.

É dessa feliz conjunção de três lugares diferentes - espectador, crítico e ex-diretor - que tenho acompanhado, ininterruptamente, a trajetória do Balé da Cidade de São Paulo. E a despeito das inevitáveis, e certamente injustas, omissões em quem incorrerei, penso não estar enganado e nem faltar com a verdade ao demarcar, como farei a seguir, o que têm sido, em grandes linhas, as últimas três décadas de dança no Balé da Cidade.

Em 1973/1974, a transformação radical por que passara a companhia provocou mágoas, artísticas e pessoais, e deixou insatisfeita uma parcela do público, conseqüências inevitáveis em mudanças dessa ordem. No entanto, a consistência do partido artístico adotado, a felicidade de algumas criações da segunda metade dos anos 1970 e o enorme sucesso de público e crítica do novo Corpo de Baile conquistaram até mesmo uma parcela dos descontentes e saudosistas.

Em 1974/1975 São Paulo finalmente tinha uma companhia de dança que se mostrava capaz de refletir traços distintivos da metrópole que lhe dá abrigo: usina de produção de arte e cultura, ponto de chegada e de irradiação de muitas culturas e povos, cenário de riqueza e pobreza, lugar onde o passado, para se fazer presente, tem de se embrenhar na paisagem em permanente mudança, espaço em que se articulam diferenças e contradições, confluência de diversidades, ponto de convergência de multiplicidades de toda sorte.

Ao quarteto inicial, formado por Antônio Carlos Cardoso, Iracity Cardoso, Victor Navarro e Marilena Ansaldi, somou-se o talento gigantesco do argentino Oscar Araiz, na época coreógrafo de prestígio internacional mais do que firmado. Foi desse modo que ao longo de seis ou sete anos pudemos assistir, encantados, a uma emocionante floração de obras de arte em dança.

Nesse período, Victor Navarro assinou produções de forte impacto, como Apocalipsis (John MacLaughin e Mahvishnu Orchestra, 1976) e Corações Futuristas (Egberto Gismonti, 1976), que deram ao conjunto da companhia um admirável sentido de coesão e homogeneidade, e também delicadas obras camerísticas, de grande inspiração, como Danças Sacras e Profanas (Debussy, 1975), Gadget (Penderecki, 1978) e Daphnis e Chloé (Ravel, 1979).

A contribuição de Oscar Araiz ao crescimento artístico da companhia se daria por meio de importantes obras do opus do coreógrafo: Mulheres (Grace Slick, 1976), Canções (1976), delicadíssima leitura das Canções do Companheiro Errante, de Mahler, Prelúdios, imponente criação para os bailarinos da companhia (Chopin, 1977) e sua sensacional obra Cenas de Família (Poulenc, 1978), um dos maiores sucessos que o Corpo de Baile conheceria ao longo de toda sua história.

Antônio Carlos Cardoso, por sua vez, alternaria resultados inconstantes, em obras de pequeno porte com música de câmara, ao imenso sucesso que se mostrava capaz de alcançar ao valer-se de música e literatura brasileiras em criações afinadas com o tempo presente, como Nosso Tempo (Paulo Herculano, 1976), a empolgante Aquarela do Brasil (colagem de música popular brasileira, 1979) e Sol do Meio Dia (1980).

Cardoso, diretor de muitas virtudes, mostrou-se desde logo preocupado em estimular o surgimento de novos coreógrafos, para fornecer à sua companhia o alimento de que todas as companhias de dança necessitam - novas obras. Assim, foi por seu intermédio que o bailarino argentino Luis Arrieta teve suas três primeiras oportunidades importantes como coreógrafo. Talentoso, talhado para o ofício e muito capaz, Arrieta agarrou-as com unhas e dentes: Camila (Mahler, 1977) e Testemunho (Mahler, 1978), criações incipientes mas plenas de promessas, antecederam sua primeira obra de maturidade, Presenças (Rachmaninoff, 1979), ainda hoje em minha opinião uma de suas melhores criações.

Luis Arrieta sucederia Antônio Carlos Cardoso logo no início dos anos 1980, e voltaria a ocupar a direção do Balé uma vez mais, ao final dessa mesma década. Sua contribuição ao Balé da Cidade, iniciada em 1977, se faz presente até hoje e, de um modo ou de outro, jamais deixou de se fazer sentir. Com efeito, como diretor o coreógrafo trouxe para o repertório da companhia algumas de suas obras mais bem sucedidas, como por exemplo Da infância (Mahler, 1980), Sanctus (1980), Libertas (Egberto Gismonti, 1981), Trindade (Barber, criado para o Grupo Elo em 1982 e estreado pelo Balé da Cidade em 1986), Magnificat (Bach, 1986) e Mandala (Ravel, criado para o Balé do Teatro Castro Alves em 1986 e estreado pelo BCSP em1988).

Entre os dois períodos em que Luis Arrieta foi diretor do Balé da Cidade, a companhia passou por uma outra profunda renovação, talvez não tão radical quanto a primeira, de 1974, mas tão proveitosa quanto aquela. Em 1982, Klauss Vianna assumiu a direção do grupo e com a colaboração de Julia Ziviani, que viria a sucedê-lo de 1983 a 1984 imprimiu novos rumos ao percurso do Balé da Cidade. Acredito que o tempo já permite uma avaliação justa sobre a importância desse período, que se não foi pródigo em obras duradouras, do ponto de vista artístico foi altamente provocador. Dados seu temperamento e seu modo de ser artista, Klauss Vianna não poderia ter feito de modo diferente: virou tudo de pernas para o ar, criou um grupo experimental dentro da companhia principal, deu oportunidade a novos talentos e inscreveu o teatro e a dança moderna nas almas e nos corpos de seus artistas.

Devemos a Klauss Viana e sua proposta renovadora não apenas o prazer de assistir a obras de artistas já completos, como Lia Robato e Emilie Chamie, co-autoras de Bolero, espetáculo multiartístico de 1982, J. C. Viola e sua impactante Valsa para vinte veias (criada para seu grupo em 1980 no Teatro Galpão e remontada para o Balé da Cidade em de 1982), Certas Mulheres de Mara Borba Sonia Mota e Susana Yamauchi readaptado para o BCSP em1982, A dama das camélias, produção de 1983, em que José Possi Neto deu asas a sua inesgotável imaginação e estimulou o ato solidário de coreografar também em equipe, e Oscar Araiz, que voltaria ao Balé da Cidade com Cantares, belíssima criação sobre música de Ravel, em 1984.

Devemos a Klauss também diversas criações de novos coreógrafos, e nesse feixe foram preciosas, e muito bem aproveitadas, as oportunidades oferecidas a jovens como Mara Borba, Sonia Mota, Susana Yamauchi, João Maurício, Wilson Aguiar e Sérgio Funari. Diversos dessses artistas tornaram-se coreógrafos e professores de prestígio nacional e internacional.

Cardoso voltaria a ocupar a direção do Balé da Cidade por um breve espaço de tempo, em 1985 e após um período de 6 meses sem diretor artístico em agosto de 1986do de Luis Arrieta. Em minha apreciação, nos últimos anos da década de 1980 a companhia encontrava-se diante de uma perigosa possibilidade de estagnação.

A despeito de seu imenso talento para criar balés, capacidade que elogiei repetidas vezes na imprensa escrita ao longo de meus dez anos como crítico de dança, suas virtudes como coreógrafo eram mais abundantes do que suas habilidades como diretor. Penso que desvencilhado das múltiplas e complexas responsabilidades de dirigir uma companhia como o Balé da Cidade, Arrieta se mostrava mais à vontade para oferecer o melhor de si, que é criar bons balés e obras de grande impacto, essa sim sua vocação inextricável.

Assim, parecia-me que começava a faltar ao Balé da Cidade aquelas que sempre haviam sido suas três características mais admiráveis: o perfil multicoreográfico do repertório, a abertura para vários criadores e linguagens, e a ousadia de enfrentar territórios artísticos desconhecidos. Ademais, a companhia padecia de crônicas dificuldades e carências no que dizia respeito às condições técnicas, administrativas e operacionais de trabalho.

Ao assumir a direção do Balé da Cidade em 1989, propus-me a restaurar as melhores qualidades artísticas da companhia, empenhei-me ao máximo para oferecer as melhores condições de trabalho e estabeleci que a direção do Balé da Cidade haveria de ser um empreendimento conjunto, em que os ensaiadores desempenhavam papel de enorme relevo. Para tentar dar conta dessas ambições, convidei Hugo Travers, Susana Mafra e Sergio Funari para participar da aventura comigo.

Suely Sciedlarczykjuntou-se ao grupo no final de 1989, Sérgio Funari trabalhou conosco até o final de 1991, e Mônica Mion, hoje à frente da companhia, passou a integrar a equipe de direção da companhia no final de 1989. Que Susana, Hugo e Sueli continuem a entregar o seu amor e o melhor de suas capacidades ao Balé da Cidade até hoje, de modo praticamente ininterrupto, é algo que enche meu coração de alegria.

Graças ao apoio que a companhia e eu sempre recebemos de Emilio Kalil, da secretária da cultura Marilena Chauí e da prefeita Luísa Erundina, penso termos sido bem sucedidos nas tarefas que minha equipe e eu nos propuséramos a realizar. Retomamos obras que haviam feito parte da história da companhia, restabelecemos o perfil multicoreográfico do repertório, aventuramo-nos em experiências de dança-teatro, reativamos os workshops de novos coreógrafos e conseguimos dotar o Balé da Cidade de um arcabouço operacional e administrativo que se tornou a base da complexa estrutura técnica, administrativa e operacional que hoje garante à companhia uma admirável desenvoltura e alto grau de eficiência.

Ivonice Satie respondeu pela direção do Balé da Cidade entre 1993 e 1996, e sob sua liderança a companhia lançar-se-ia a novos e mais altos vôos, inclusive o mais s sonhado deles: conquistar o reconhecimento internacional. A estrutura operacional moderna e eficaz, o elenco afiadíssimo e um repertório que incluía trilhas sonoras originais de Gilberto Gil e Tom Jobim, e coreografias de Germaine Acogny, Vasco Wellemkamp e Ohad Naharin, permitiram ao Balé da Cidade de São Paulo dar início, na Bienal de Dança de Lyon de 1996, na França, sua muito bem sucedida carreira internacional. Desde então, em suas muitas viagens pelo Brasil, pela Europa e pelo Oriente Médio, a companhia vem conquistando os mais calorosos elogios da crítica especializada e o carinho entusiasmado do público.

Ao assumir a direção do Balé da Cidade em 1997, José Possi Neto, homem de teatro amoroso da dança e artista de incontáveis talentos e méritos, trouxe para a companhia uma indispensável reflexão sobre dimensão ética do ato de dançar. Movido por sua incansável vontade de realizar, aberto ao trabalho conjunto de criação e despido de vaidades, Possi tratou de cumprir os compromissos nacionais e internacionais do elenco, programados por conta do sucesso da companhia na Europa, e esperou pacientemente a oportunidade para imprimir seu timbre ao repertório e ao elenco que dirigia. Ao começar a fazê-lo, com promissores e interessantíssimos resultados - confesso que poucas vezes vi aos bailarinos da companhia aventurando-se com tanto destemor em empreendimentos marcados pela coragem e pelo desassombro artístico -, em junho de 1999, por razões de ordem pessoal, Possi desligou-se do Balé da Cidade, e Ivonice Satie voltou à direção da companhia.

Nessa que seria sua segunda oportunidade como diretora do Balé da Cidade, Ivonice prosseguiu na mesma direção que já trouxera tão bons frutos, entre 1993 e 1996. Além disso, também criou a Companhia 2, para oferecer aos bailarinos e intérpretes mais velhos do elenco um repertório e uma proposta de trabalho que aproveitassem ao máximo a experiência acumulada nesses corpos moldados por anos de trabalhos diário em sala de aula e no palco. Penso que os resultados mais consistentes e interessantes dessa empreitada começaram a se fazer sentir depois de Ivonice Satie deixar a direção do Balé da Cidade, ao final de 2001, em obras como Como se não coubesse no Peito de Denise Namura e Miachael Bugdahn ( 2001 ) e Deserto dos anjos de Claudia Palma (2002).




O fato de Mônica Mion finalmente ocupar a direção da companhia me parece ser uma escolha feliz, justa e necessária. Acredito que poucos artistas que pertenceram ao Balé da Cidade, em qualquer tempo, teriam mais direito de ocupar essa posição do que ela: artista de coragem admirável, intérprete de incontáveis méritos e bailarina extraordinária, Mônica ingressou no Balé da Cidade em 1976, e desde então ofereceu à companhia, ininterruptamente, sempre e apenas o melhor de si. Ao longo de 25 anos, não houve criador que não a aproveitasse em suas obras no Balé da Cidade.

Experimento uma ponta de orgulho em vê-la à frente dessa companhia que tantos significados tem para mim. Sempre fui, como espectador e como crítico, um grande admirador da bailarina e intérprete. Quando dirigi o Balé da Cidade convidei Mônica para ser ensaiadora e assitente de coreografia, e pude então conhecer a firmeza de seu caráter, sua inteligência ágil e vivaz, sua capacidade de liderar pessoas e sua dedicação incondicional ao ato de dançar e à companhia onde ela fez isso por toda a vida.

Imaginei que ela um dia poderia ser diretora. Tornou-se e vem mostrando que sabe o que quer e como alcançar o que deseja. E não posso deixar de me emocionar ao ver que agora, com o apoio de Lúcia Camargo, diretora do Teatro Municipal, de Marco Aurélio Garcia (2001-2002), Celso Frateschi (atual) secretário da Cultura e da prefeita Marta Suplicy, o Balé da Cidade, liderado por Mônica, Suzana (está indo embora), Hugo e Sueli ensaia novos e mais audazes vôos.

E porque penso que não me enganei a respeito das habilidades de Mônica, passo a ela a palavra para que apresente seu modo de ver o Balé da Cidade, a direção que ela pensa seguir e seus planos para comemorar os 35 anos da companhia cuja história, desde 1968, vem sendo escrita por muitas e carinhosas mãos.





Grupo Corpo

Fundado em Belo Horizonte, em 1975, o Grupo Corpo é uma companhia de dança contemporânea, eminentemente brasileira em suas criações. Sua carreira vem sendo marcada por sucessivas metamorfoses, mas sempre norteada por três preocupações: a definição de uma identidade, vinculada a uma idéia de cultura nacional (com toda a fluidez que isso implica); a continuidade do trabalho, pensado a longo prazo; e a integridade na sustentação de padrões autoimpostos de elaboração.

Seu primeiro espetáculo, Maria Maria, foi um recorde de produção local: percorreu 14 países e foi dançado no Brasil desde 1976 até 1982. Coreografado pelo argentino Oscar Araiz, Maria Maria teve música de Milton Nascimento e roteiros de seu letrista Fernando Brant. O Último Trem, também de Araiz, consolida a primeira fase do Grupo Corpo, acentuada por uma visão particular de dança brasileira.

A fundação do Grupo ocorreu por iniciativa de Paulo Pederneiras, que trouxe para a empreitada seus cinco irmãos e mais alguns amigos. Seus pais cederam a casa onde moravam para ser a sede do Corpo. Paulo Pederneiras, diretor geral, viria depois a assumir também a iluminação dos espetáculos; Rodrigo Pederneiras, que inicia como bailarino, será o coreógrafo de praticamente todos os trabalhos do Corpo a partir de 1981. Dos demais fundadores do Grupo vários permanecem até hoje: Pedro Pederneiras, Carmen Purri, Miriam Pederneiras e Cristina Castilho.

Rodrigo faz sua primeira coreografia para o Grupo Corpo, Cantares, entre Maria Maria e Último Trem. Cinco outras podem ser listadas num primeiro conjunto: Tríptico e Interânea (1981), Noturno e Reflexos (1982) e Sonata (1984). Cantares é de 1978, ano em que a nova sede do Corpo é inaugurada e Emilio Kalil junta-se ao Grupo, onde assumirá mais tarde, por alguns anos, a co-direção com Paulo.


Construção de uma linguagem

O primeiro grande sucesso de Rodrigo como coreógrafo seria Prelúdios, de 1985, com música de Chopin. Esse espetáculo deixa claro seu forte sentido musical: a partitura vai sendo traduzida por peças que se encadeiam, assim como pelas frases entretramadas; e os deslocamentos dos bailarinos vão desenhando o espaço de um modo novo, segundo princípios da música.

Tanto o palco como os figurinos, em Prelúdios, são de tons azulados. Sua função é muito mais do que acessória, ou decorativa. Desde então, em todos os trabalhos do Corpo, cada elemento – cenário, figurino, luz -- tem parte ativa, ajudando a compor espetáculos complexos, onde várias artes multiplicam suas virtudes umas pelas outras.

As coreografias seguintes – Bachiana e Carlos Gomes/Sonata (1986), Canções, Duo e Pas du Pont (1987), Schumann Ballet, Rapsódia e Uakti (1988) – acentuam a maneira característica de Rodrigo construir um desenho espacial. Sua produção de meados da década de 80 está fortemente ligada à técnica clássica, com elementos da dança contemporânea.

Nas coreografias que vão de Prelúdios até 21 (marco de uma outra fase), Rodrigo vai testando seu domínio de estruturas e deslocamentos. A técnica do balé clássico, que é a base de seus trabalhos, vai sendo quebrada por movimentos do folclore e das danças de rua. O Corpo começa a trazer para o palco certa maneira particular do brasileiro se mover.

Em 1988, em caráter extraordinário, a coreógrafa alemã Suzanne Linke foi convidada para montar um espetáculo para a companhia, Mulheres.

Desde 1989 até 1999, foi a Shell o principal patrocinador do Grupo.

Uma parceria que definiu não só uma considerável estabilidade financeira, mas permitiu que a companhia assumisse ambições mais plenas. A dimensão quase operística das produções do Corpo, no sentido de uma colaboração estreita entre as artes, só foi possível nessas condições. Um núcleo criativo trabalha em conjunto, desde então: Paulo Pederneiras, Fernando Velloso, Freusa Zechmeister e Rodrigo Pederneiras. A partir de 1992, compositores são convidados a escrever trilhas especialmente para cada balé. Música, cenário, figurino e coreografia vão sendo construídos simultaneamente. Cada espetáculo é o resultado dessa interação.

A parceria incentivou, também, o reconhecimento mundial do Corpo, que hoje faz temporadas anuais em países da Europa e das Américas. Vários outros parceiros, públicos e privados, patrocinariam o Grupo em alguma medida, ao longo dos anos.



Várias Artes

Missa do Orfanato (1989), com música de Mozart, é um trabalho especialmente marcante. Rodrigo molda os corpos, retorcendo, encurvando e ampliando os movimentos. Os gestos recompõem plasticamente as melodias e traduzem para o que tem peso e volume a liturgia mais abstrata da música. Figurinos com características individuais trazem para a cena indivíduos presos ao chão e envoltos num gigantesco painel terroso, onde a luz dá sustentação ao caráter solene e impactante da coreografia.

No ano seguinte, o Corpo estréia A Criação, baseada no oratório de Joseph Haydn. Essa peça adota (o que é raro) um roteiro pré-existente (que vem da Bíblia); e destaca-se pela introdução de ironia e humor. Três Concertos (1991), com música do compositor barroco Telemann, e Variações Enigma, inspirada na partitura sinfônica de Edward Elgar, darão continuidade a essa vertente.

Reduzindo as multiplicidades dessa dança a uma questão central, pode-se dizer que se trata, afinal, de inventar uma linguagem nova – uma linguagem que leve em conta a mobilidade concreta dos corpos e a construção de uma nova dimensão do espaço do palco.

O próximo espetáculo, 21 (1992), será consagrado como um marco não só para a carreira do Corpo no Brasil, mas também para a definição internacional de certo estilo “brasileiro” de conceber a dança. A música, composta por Marco Antônio Guimarães e interpretada pelo Uakti, articula-se ritmicamente em permutações e divisões do número 21.

Neste balé a luz, de Paulo, tem função fundamental. Na primeira parte, por exemplo, gestos simples se tornam espetaculares pela criação de cenas onde é a luz que desenha o espaço. Cada vez mais fica clara a associação dos criadores do Grupo.

Em Nazareth (1993), Rodrigo chega a um vocabulário próprio, com bases que vão desde a tradição clássica até a dança popular. A maior parte dos gestos nasce de um arqueamento dos passos clássicos, que ganham outras linhas e outro caráter, a partir de manobras variadas de amplificação e torção. “Alta” e “baixa” cultura mesclam-se na música de Ernesto Nazareth, na literatura de Machado de Assis, e refiguram-se mais uma vez na partitura de José Miguel Wisnik, que se transfigura em dança. Do cenário de Fernando Velloso ao figurino de Freusa, os gestos se multiplicam em movimentos circulares dos corpos dos bailarinos.

Em Sete ou Oito peças para um Ballet (1994), com música minimalista de Philip Glass (arranjada por Marco Antonio Guimarães), a dança de Rodrigo viaja para dentro da tela de um computador. Tudo verde: cenário, piso, até por vezes os figurinos. Bailarinos cruzam esse palco-tela, em linhas que se estendem retas de um lado a outro. De súbito, algo ou alguém dispara, rompendo a regularidade e animando a geometria plana com um movimento de muitas dimensões.

Celebrando os seus vinte anos de fundação em 1995, o Corpo apresentou uma retrospectiva, com Prelúdios, Missa do Orfanato, Variações Enigma, 21, Nazareth e Sete ou Oito Peças para um Ballet. Ocasião em que passa a ser companhia residente na Maison de La Danse, em Lyon, na França (até 1999).


1996-2000

Sua próxima criação, Bach (1996) estréia em Lyon. A música de Marco Antônio Guimarães é uma suíte de peças diversas de Bach, em arranjos mais ou menos livres. A coreografia de Rodrigo, aqui, dialoga como nunca com o espaço. O cenário, uma colaboração de Fernando Velloso e Paulo Pederneiras, assume um papel muito ativo no espetáculo. Por exemplo: no início os bailarinos caem em cena do alto, deslizando por tubos de alumínio; num outro momento, um painel negro vai descendo e escondendo gradualmente o corpo dos bailarinos.

A coreografia seguinte, Parabelo (1997), traz a marca do Nordeste. Mal se vê, a princípio, no lusco-fusco, os bailarinos. Os corpos se movem pesados, marcando tempo. Cinco enormes cabeças, no fundo preto do palco, sugerem mundos desconhecidos, sem serem desfamiliares -- regiões de religião fervorosa, lavoura difícil, estoicismo. As células musicais de Tom Zé e José Miguel Wisnik recriam a música do sertão baiano, universalizado neste Grande Sertão. O que vem da dança popular traz uma energia bruta para os movimentos. A dança se desafoga, junto com a música, e uma alegria incontida toma conta de tudo.

Benguelê é de 1998. Gestos e seqüências que vinham pontuando as últimas obras aparecem aqui mais diluídos, integrados a um patrimônio arcaico de gestos (da capoeira, por exemplo, ou de dança de festa de São João). Mas o esforço de Rodrigo é recriar sua dança dentro da outra. Assim como João Bosco acomoda na sua trilha, música árabe e Debussy. E o cenário, junto com a luz, cria um outro plano. Com a inclusão de uma passarela, os planos se multiplicam; e uma caminhada “infinita” dos corpos traduz a dança para um espaço que não é mais da cena – é da nossa imaginação.

A partir de 2000 a Petrobras passa a ser a principal financiadora do Grupo, dando continuidade ao trabalho na mesma escala. O início desse patrocínio marca o que deverá ser outro ciclo da companhia. Um novo balé, O Corpo, mostra-se bem distante dos arquétipos profundos do interior brasileiro. O “popular” agora é outro e o resultado não poderia ser mais diferente.

O Corpo (2000) é um balé sem nostalgias, num presente um pouco à frente de nós. A coreografia traz uma nova expressão direta, nas violências dos gestos reagindo às concretudes da letra e da música de Arnaldo Antunes. Traz, também uma circulação de sentido entre os elementos que compõem o espetáculo: o cenário vira luz e o figurino vira cenário. O Corpo suscita várias inovações no vocabulário do coreógrafo. Em particular, o arqueamento dos corpos e um interesse pelo chão.





Santagustin (2002), com música de Tom Zé e Gilberto Assis, suscita novos ares para a dança do Corpo, com seus coros das "mulheres pragmáticas", "inconformadas" e "gozadoras", dos "homens-fêmeas", "sedutores egoístas" etc. Amor e humor, melodia e malícia, ardor e sensualidade. A paixão invade abertamente a cena, que une homens e mulheres em todas as combinações. O cenário de Paulo Pederneiras e Fernando Velloso – um gigantesco coração de pelúcia -- enche o palco com o que há de mais kitsch e ao mesmo tempo mais desabusado. Os figurinos de Ronaldo Fraga, verde e rosa, singularizam cada bailarino com os detalhes da roupa. Se antes os grupos riscavam o palco em desenhos geométricos (e deles se desprendia alguém, para depois voltar a integrar o conjunto), a tensão agora está nos duos: um corpo se une e se contrapõe a outro. Santagustin se volta para o mundo das pulsões, quer dizer, para o espaço mais íntimo e ao mesmo tempo mais conhecido de todos nós. São pequenas tragédias, com acentos de grande comédia.

Identidade e renovação

Vistos agora, de trás para frente, fica claro como um balé leva a outro, mas também como o outro reinventa o anterior. E o que este tipo de reinterpretação demonstra é que o Corpo já não é só o nome de uma companhia, mas de um repertório, quase uma tradição.

Manter viva essa tradição é a tarefa que a companhia se impõe. Sua identidade se renova exatamente ao ser capaz de mudar. O que garante a sua continuidade é a idéia do que pode ser uma dança brasileira -- como representação e, ao mesmo tempo, um desafio para nossa idéia de nós mesmos.


(Créditos aos sites das companhias)