segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Lago dos Cisnes celebra 120 anos.

(Imagem L. B.)






Em janeiro de 1895, o Teatro Mariinski, em São Petersburgo, exibiu pela primeira vez o lendário balé ao som de Tchaikovsky. A versão de Marius Petipa e Lev Ivanov não foi a primeira deste balé, mas foi justamente ela que mudou a atitude do mundo em relação à obra do grande compositor.
Ao longo de 120 anos, o “O Lago dos Cisnes” se consagrou como um dos balés mais encenados em todo o mundo. Existem apresentações com final feliz, final trágico e com diferentes leituras dos personagens. No espetáculo do britânico Matthew Bourne, por exemplo, os cisnes são todos homens. Mas a versão do Mariinski continua sendo vista como um “clássico do gênero”.
O famoso coreógrafo George Balanchine se referiu ao espetáculo como o “cartão de visita do balé russo”. Segundo ele, “todos os balés deveriam se chamar Lago dos Cisnes – isso garantiria uma venda animada de ingressos e sucesso entre o público”.
Primeiros passos
O primeiro “O Lago dos Cisnes”, coreografado por Wenzel, foi apresentado ao público em março de 1877, no Teatro Bolshoi. O espetáculo foi bem recebido pelos espectadores e acabou sendo retirado do repertório.
“Tinha muitas cenas de pantomima. Odette contava detalhadamente o seu destino, falava da madrasta malvada que era uma bruxa. Pessoas que assistiram ao espetáculo falavam da pobreza da sua dança. Nas críticas era possível perceber que o musical prevalecia claramente sobre a coreografia”, conta a editora do departamento editorial do Teatro Mariinski, Olga Makarova
No início de década de 1890, o Maître de Ballet Marius Petipa reescreveu o libreto para o Mariinski juntamente com Tchaikovsky, e a partitura, em colaboração com o compositor Riccardo Drigo. A encenação foi feita em parceria com Lev Ivanov.

A estreia, cinco anos depois, aconteceu no dia do jantar de gala beneficente promovido pela bailarina Pierina Legnani. Na ocasião, o seu par foi Pável Gerdt, que durante anos dançaria o personagem de Siegfried no palco do Mariinski.
O espetáculo moderno difere da primeira produção. No final do século 19 os homens na dança clássica não realizavam saltos complexos – os dançarinos se limitavam principalmente a caminhar pelo palco, criando poses elegantes e, quando necessário, amparando a bailarina. As bailarinas também eram diferentes: tinham o corpo mais coberto e não podiam levantar muito a perna quando estavam no palco, pois era considerado indecente.
Final feliz
Nos anos 1930, a bailarina e pedagoga russa Agrippina Vaganova decidiu produzir “O Lago dos Cisnes” com um tom social, mudando completamente o libreto. Em sua versão, Rothbart não era um malvado feiticeiro, mas um barão arruinado à procura de um bom partido a filha. No final, Odette morre com um tiro disparado por Rothbart, e Siegfried se suicida.

Galina Ulánova no papel de Odette Foto: Teatro Estatal Acadêmico MariínskiAdicionar legenda

Em 1950 foi lançada uma nova versão pelo coreógrafo Konstantin Sergueiev – e, pela primeira vez, com final feliz. Se até então as ondas agitadas do lago engoliam Odette e Siegfried na última cena, o novo Siegfried vencia o mago em um duelo, dando fim ao mal.
Sergueiev manteve quase inalterada a coreografia de Petipa e Ivanov, mas mesmo assim conseguiu refletir as conquistas do balé moderno. É esta a produção que continua sendo apresentada no Mariinski ainda hoje – e já foi exibida 1.757 vezes no teatro de São Petersburgo.

Publicado originalmente pela agência Tass

Vitor e Guilherme Menezes

Gêmeos brasileiros fazem sucesso dançando balé em Londres.



De São Bernardo do Campo para Londres. De Londres para China, Cingapura, Colômbia, México, Espanha.... "A gente vai dar uma volta pelo mundo dançando por aí", diz o bailarino Guilherme Menezes, de 22 anos. Referindo-se a ele e ao irmão.


O sonho de integrar uma das companhias de balé mais importantes da Inglaterra, o English National Ballet.
No mês que vem, eles saem em turnê mundial após participar, em Londres, do Quebra-Nozes, espetáculo tradicional na época natalina, e, em janeiro, do Lago dos Cisnes.
Mas qual a vantagem de ter dois bailarinos iguais no palco? "É o que faz a gente mais especial. O jeito que a gente dança é bem parecido. No balé, que é uma coisa bem simétrica, tem sempre duas linhas no palco, são duas pessoas dançando ao mesmo tempo. E, para o diretor de uma companhia, conseguir ter duas pessoas que - ainda mais quando a gente está no palco - são exatamente iguais é um grande ponto a favor", explica Guilherme.
Os meninos começaram a dançar aos oito anos. Durante a infância, a mãe deles costumava tocar música clássica para as crianças. Os dois começaram a trabalhar o lado artístico em aulas de atuação.
"A gente adorava teatro, mas atuação ainda não era exatamente o que estávamos procurando. Um dia uma vizinha que fazia balé nos convidou para assistir a um espetáculo dela e, quando a gente assistiu, a gente se apaixonou", conta Vitor.
Os dois eram os únicos homens na aula de balé. Eles dizem que gostavam tanto que não se importavam muito com o preconceito - mas, na escola, costumavam fingir para os colegas que faziam uma outra atividade.
Aos 16 anos, fizeram um teste na escola do English National Ballet e receberam uma bolsa integral para estudar em Londres.
'Portunhol' em Londres
Os irmãos chegaram à capital britânica sozinhos, sem falar uma palavra de inglês. Precisaram de ajuda de uma tradutora para passar pela imigração - mas, como não havia tradutora para o português, tiveram que se virar no "portunhol", pois a funcionária só falava castelhano.
Mas, em Londres, a "linguagem universal" da dança ajudou. Os passos de balé têm nomes em francês e, além disso, dançar é uma forma de comunicação sem palavras.
No início, falar com a família também era difícil: sem telefone nem computador, só conversavam com os pais por email.
Mas com o tempo aprenderam inglês e se adaptaram a Londres. Completaram os três anos de formação na escola de balé e depois disso receberam a oferta para continuar na companhia. "Foi um dos momentos mais felizes da nossa vida", diz Vitor.
Os irmãos dizem que ficar juntos não foi intencional, mas acham que os pais não teriam deixado que viajassem se estivessem sozinhos.
"Mas eles sempre acharam que, algum momento da nossa vida, a gente ia acabar indo por caminhos diferentes. Por incrível que pareça, até agora a gente sempre faz nossos planos juntos. É uma vida inteira dançando junto", conta Guilherme.
E é assim, juntos, que os dois pretendem, no futuro, voltar para o Brasil. "Queremos passar todos os ensinamentos que aprendemos para quem está no Brasil", diz Guilherme.
Vitor e Guilherme de Menezes .












Bernadette Peçanha a bailarina de Portugal.

Em 05 de fevereiro de 2015
R.I.P.

Aos 87 anos, a ex-bailarina Bernardette Pessanha morreu no Hospital de São Francisco Xavier, vítima de doença cardiovascular. Bernardette Pessanha fez parte do grupo de nove elementos que fundou o Grupo Experimental de Ballet,  que acabou por originar o Ballet Gulbenkian
António Laginha, diretor do Centro de Dança de Oeiras descreveu Bernardette Pessanha como “uma pessoa discreta, mas fundamental na dança em Portugal.
Bernardette Pessanha nasceu em Faro, a 4 de fevereiro de 1928. Ao longo da sua carreira como bailarina, estudou no Conservatório Nacional e fez parte do Círculo de Iniciação Coreográfica, fundado e dirigido por Margarida de Abreu, nos anos 40. Entre 1950 e 1958, integrou o Grupo de Bailados Portugueses Verde Gaio, sob a direção de Francis Graça.
No Grupo Experimental de Ballet, foi bailarina, ensaiadora e assistente do mestre Norman Dixon. Em 1965, no Grupo Gulbenkian de Bailado, foi assistente dos coreógrafos Walter Gore eMilko Sparemblek. Já no Ballet Gulbenkian, em 1975, foi assistente de Jorge Salavisa. Fez parte de Companhias com digressões em França,  Suíça,  Bélgica, Alemanha, Holanda, Dinamarca, Suécia e  Egito.
No cinema, participou no filme O Cantor e a Bailarina de Armando Miranda, em 1960. Ao seu lado estiveram também os bailarinos Jorge SalavisaFernando IsascaAlbino Morais e Fernando Lima, com coreografia de Fernando Lima.